O caçula da temporada 2018 da Sprint Race Brasil, Diego Ramos, conversou com o jornalista Fernando Guerreiro do Portal Grande Prêmio sobre a sua visão do automobilismo no Brasil e no mundo, além de seus objetivos e metas.  Confira: https://grandepremium.grandepremio.uol.com.br/conta-giro/materias/o-caminho-sprint-rumo-a-stock-car

A carreira de um piloto bem-sucedido costuma ser composta por alguns ciclos. Via de regra, o primeiro passo é no kartismo, ainda criança. Com o tempo, as vitórias e os títulos, é natural que o competidor faça a transição para os carros com um olhar na elite do automobilismo. É aí que o piloto, ainda bem jovem, precisa tomar a decisão que vai certamente influenciar em toda a carreira: a escolha entre os monopostos e o turismo. Tudo depende muito do contexto em que o atleta está inserido, das oportunidades e da perspectiva de carreira.

E cada vez mais, no Brasil, a Stock Car é vista como uma espécie de eldorado por conta do seu alto nível técnico e, principalmente, pela possibilidade de trilhar uma carreira profissional, ganhando dinheiro para correr. A principal categoria do automobilismo nacional vem sendo a meta de pilotos jovens e de grande talento. O grande precursor desse movimento em tempos recentes é Felipe Fraga, o mais jovem campeão da história do certame, com 21 anos.

O sucesso do tocantinense faz com que os novos valores que brotam no kartismo tenham a Stock Car como a grande meta. Outro exemplo que já vem fazendo bonito é Guilherme Salas, no seu segundo ano no grid.

Contudo, considerando que a Stock Car é a categoria top do Brasil, há toda uma preparação e uma escada a subir até chegar lá. Mesmo quando se tem muito talento, é preciso avançar uma fase por vez para não se ‘queimar’ um jovem promissor. O desenvolvimento de carreira e a busca por evolução constante em carros turismo, com todas as suas peculiaridades, são fundamentais para o sucesso da carreira no futuro.

Piloto da Academia Shell Racing desde 2017, Diego Ramos iniciou nesta temporada a sempre difícil transição do kartismo para as corridas de carro. Aos 16 anos, o paulista veio de um ano de enorme êxito na modalidade, faturando simplesmente os principais títulos em disputa no país: Campeonato Brasileiro e a Copa Brasil, da qual se sagrou tetracampeão. Detalhe: o paulista sequer avançou à categoria Graduados, alcançando os títulos no último ano pela categoria Júnior. Diego é tricampeão brasileiro, dono de oito taças nacionais ao todo e outra em âmbito sul-americano.

Diego Ramos começou bem sua transição para o turismo. Com direito a pole
Luciano Santos/Sprint Race

Com uma bagagem pra lá de vitoriosa, Ramos decidiu seguir para o turismo no novo ciclo da sua carreira. Graças ao planejamento previsto pelo seu staff em conjunto com a Academia Shell Racing, Diego optou pelos carros fechados e apostou numa estrutura que já se mostrou vencedora e necessária para a adaptação e crescimento ano após ano: seguindo os passos de Salas, Ramos já dá as suas primeiras aceleradas em um carro de corrida na Sprint Race, onde começou bem demais, com direito a pole-position na etapa inaugural, em Curitiba. O piloto foi o mais jovem de todo o grid.

Ao GRANDE PREMIUM, Ramos detalha a decisão que tomou de começar sua jornada no turismo pela categoria baseada na capital paranaense, que vem sendo apontada como o primeiro grande passo da modalidade no Brasil.

“Essa transição para a Sprint Race foi tomada junto com a Academia Shell Racing e com o Ricardo Fávaro, do Team Motorbiz. É uma categoria que é acessível à maioria em relação ao dinheiro e tem um carro bem legal de ser guiado. É como o primeiro passo para quem almeja chegar à Stock Car, como fez o Guilherme Salas, que está na sua segunda temporada completa nesse ano, o próprio Gaetano di Mauro [também da Academia Shell Racing e hoje na Porsche Carrera Cup] fez esse caminho também. A minha visão é essa: fazer um ano de Sprint Race, se tudo der certo vou para a Stock Light no ano que vem e, mais pra frente, chegar à Stock Car”.

Assim como Salas e Di Mauro, a Sprint Race também foi o ponto de partida no turismo para talentos que hoje despontam na Stock Light, a classe de acesso à Stock Car: nomes como Pietro Rimbano e João Rosate, pilotos igualmente com histórico vitorioso no kartismo, tiveram êxito na categoria chefiada por Thiago Marques e agora buscam dar o passo seguinte. E é o caminho Sprint que Diego Ramos começou a trilhar.

“Meu objetivo final é, por enquanto, chegar à Stock Car. Mas tem muito tempo até lá. Pode acontecer muitas coisas. Veja o Marcos Gomes, que está há vários anos na Stock Car, e agora também está andando de Nascar. Pode acontecer muita coisa, vamos entregar nas mãos de Deus, e aí vamos ver o que acontece dentro de alguns anos. Mas no momento estou seguindo o caminho para a Stock Car”, comenta o piloto, que na Sprint Race corre com o numeral #113, inspirado no #13 dos tempos de kartismo.

“Vejo a categoria como uma ótima opção para quem vem do kart. Ajuda você a ter um aprendizado muito bom. A ideia é ter um primeiro ano de experiência de turismo para não chegar perdido à Stock Light, ter algumas manhas, que iria demorar para aprender, mas com a Sprint Race isso facilita”, lembra.

Começo com o pé direito

Mais jovem do grid, Ramos ‘chegou chegando’, como é de costume dizer de alguém que faz uma estreia daquelas. Na definição do grid de largada para a primeira corrida do fim de semana, o piloto da Academia Shell Racing derrotou todo mundo e marcou a pole em Curitiba logo na sua primeira corrida de carro. Performance que surpreendeu o próprio Diego.

“Fiquei bem surpreso. Realmente não esperava. Claro que eu sempre dou meu melhor, mas chegar logo na primeira etapa, na estreia, e fazer a pole era mesmo algo que não esperava. Mas graças a Deus deu tudo certo, me adaptei bem ao carro”, conta.

O piloto avisa, contudo, que ainda é só o começo do processo de aprendizado, e esse processo se mostrou nítido nas duas provas daquele último dia de março.

“Nas duas corridas em Curitiba faltou um pouco de experiência em disputa, em como lidar com algumas situações, mas estou treinando muito no simulador visando a próxima etapa e vou dar o meu melhor. Espero repetir o que fiz em Curitiba, marcando a pole, mas agora, com um pouco mais de experiência nas corridas, conseguir levar um troféu para casa e representar a Shell Racing no lugar mais alto do pódio”, fala Diego, já de olho na próxima etapa da temporada, que vai acontecer em Rivera, no Uruguai, em 6 de maio.

A paixão que fica

Apesar de voltar seu foco para a nova fase da carreira no turismo, Diego deixa claro que não vai abandonar o kart. Pelo contrário: o piloto avisa que vai lutar pelo tetracampeonato, provavelmente correndo na classe Graduados, no mês de julho na Granja Viana.

No fim das contas, vale até como uma forma de preparação para a sequência da temporada na Sprint Race.

“Não pretendo parar com o kart porque, além de ser divertido para andar, é meio como uma academia, um treinamento para o turismo. Talvez eu faça a etapa antes do Brasileiro. O Brasileiro com certeza vou fazer, mas mantendo 100% do foco no turismo, dar meu máximo. Ter muito cuidado nas corridas de kart para não me machucar, que isso pode atrapalhar minha carreira no turismo. Mas tudo o que puder andar no kart, claro, com o apoio da Shell Racing, vou procurar fazer”, garante.

Diego Ramos se junta a outros tantos nomes de enorme talento desta novíssima geração de pilotos brasileiros. E dá a certeza que, lá na frente, o grid da Stock Car vai ser de nível tão alto quanto nos dias de hoje. É mais um talento que chega de vez para escrever sua história no automobilismo nacional.